"Hoje têm farmácias vendendo carne", diz presidente de associação de supermercados sobre concorrência com drogarias

Foto: Beto Albert (Arquivo Diário)

A nova lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que autoriza a instalação de farmácias em supermercados, deve ter impacto limitado no Rio Grande do Sul. A avaliação é do presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Júnior, em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN. 

Para ele, a grande preocupação é equilibrar a concorrência com drogarias que vendem itens comuns aos supermercados. 

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Segundo ele, apesar da repercussão nacional da medida, o cenário local é diferente.

— Nós aqui no Rio Grande do Sul não temos nenhuma rede hoje intencionada a colocar uma farmácia dentro do seu supermercado. Por isso que a gente vem dizendo que pouco vai mudar no nosso Estado com relação a isso — afirmou.


Setor defende separação entre atividades

A lei permite que supermercados tenham áreas específicas para venda de medicamentos, desde que funcionem como farmácias, com regras próprias, presença de farmacêutico e separação do restante da loja.

Mesmo assim, a Agas defende que cada setor mantenha sua atuação principal.

— Nós estamos trabalhando aqui para que farmácia seja um ponto de venda de produtos para saúde, e supermercado siga vendendo produtos de supermercado. Porque entendemos que a farmácia virou praticamente um supermercado no nosso Estado, e esse não é o melhor modelo — disse.

Peruzzo destacou que a preocupação do setor não é ampliar atuação, mas equilibrar a concorrência.

— Hoje a gente vê farmácia vendendo carne, hortifruti, brinquedos, todos os itens de supermercado. E a diferença é que o supermercado tem uma série de exigências, (como atender os requisitos da) vigilância sanitária, nutricionista, engenheiro de alimentos, que não são cobradas da mesma forma das farmácias — argumentou.

Outro ponto levantado pelo presidente da Agas é a diferença nas regras de funcionamento entre os setores, especialmente em cidades como Santa Maria.

Santa Maria, por exemplo, não abre os supermercados aos domingos, enquanto farmácias funcionam 24 horas, todos os dias. Então a concorrência acaba sendo desleal, e a gente perde faturamento com isso — afirmou.

Ele ressaltou que a abertura aos domingos envolve acordos sindicais e limitações locais, o que dificulta mudanças imediatas. Diante desse cenário, a entidade tem buscado diálogo com o governo federal para avançar na regulamentação do setor.

— A gente vem se articulando, conversando com deputados, porque essa não é uma competência estadual. É preciso definir melhor quais são os itens de cada setor e como esse mercado deve funcionar — explicou.


Alta dos combustíveis preocupa setor

Durante a entrevista, Peruzzo também abordou o impacto da alta dos combustíveis sobre os preços nos supermercados.

— Os combustíveis estão subindo de forma abrupta, e já começaram a chegar tabelas de fornecedores com aumento. Em breve isso chega ao consumidor, principalmente nos itens perecíveis — alertou.

Segundo ele, apesar de uma recente queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional, o cenário ainda é de incerteza.

— Isso nos deixa um pouco mais esperançosos de que não haja novos aumentos no curto prazo, mas o momento ainda é complicado — avaliou.


Ranking Agas destaca crescimento e desempenho de empresas

A entrevista ocorreu um dia após a realização do Ranking Agas, evento que reúne os principais supermercadistas do Estado. Segundo Peruzzo, a edição deste ano contou com grande participação.

— Tivemos mais de 650 pessoas no evento, muito bem prestigiado. É uma característica da nossa gestão fazer um evento mais objetivo, direto, sem se estender muito, mas tratando das principais demandas do setor — afirmou.

Além da cerimônia, o Ranking Agas 2025 consolidou dados relevantes do varejo alimentar gaúcho. Considerado o principal levantamento do setor no Estado, o estudo avalia indicadores como crescimento percentual de vendas, faturamento por checkout (caixa), por colaborador e por metro quadrado de área de venda, além de classificar as empresas por faixas de faturamento.

Entre os destaques, o Grupo Libraga Brandão, responsável pelas redes Rede Vivo Supermercados e Rancho Atacadista, figura entre as dez maiores empresas do setor no Rio Grande do Sul. O grupo, com sede em Santa Maria, também apresentou o maior crescimento entre companhias com faturamento entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões.

Outro destaque da cidade é o Stangherlin Supermercados, da Rede Super, que registrou crescimento de 41,68% entre empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões.

O setor supermercadista gaúcho movimentou R$ 75,6 bilhões em 2025, com crescimento nominal de 8,3%. No entanto, descontada a inflação, o avanço real foi de 4,12%, o menor dos últimos sete anos, reflexo de fatores como aumento da concorrência, expansão do número de lojas e endividamento dos consumidores.


Confira a entrevista completa


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